Pois, hoje vou falar de mim.
Preciso falar (escrever) de mim... tenho andado muito em baixo. Triste mesmo. Ha tantas coisas que tenho trazido aqui guardadas e nao tenho com quem as partilhar.
Por vezes desejava ter uma amiga (e eu sei que tenho) que me pudesse ouvir,mas sem me julgar...
Por onde começar?? Deixa ver, pelo facto de não estar a lidar bem com a minha mudança familiar.
Tem dias que me tenho sentido até uma "má mãe".
A Sara foi(e é) uma bebe muito desejada e amada, tal como a Eva. Quando decidi engravidar a segunda vez nao pensava que se avizinhava um desafio tão grande.
Com o nascimento dela e a minha vinda para casa e me deparei com duas filhas para cuidar, tratar, educar, amar e ensinar, senti que nesse momento um GRANDE desafio ia iniciar na minha vida, ter de partilhar-me com duas! O inicio de uma nova etapa.
A Sara não tem nada haver com a Eva é uma bebe que chora demais, é uma bebe que exige alguma atenção e muito colo, é muito mais carente.Em prol disto fui deixando de brincar e dar tanta atenção à pequena Eva... e o resultado em poucos tempo revelou-se... mau comportamento, fitas, choros, noites agitadas e mal dormidas.... da Eva.
Dei comigo a ralhar-lhe e a bater-lhe quase por tudo... quase por nada... dei por mim a chorar e a revoltar-me comigo mesma por o ter feito... dei por mim a desejar voltar atrás, porque não deveria ter castigado ou batido naquele momento.
Houve uma altura que eu própria estava no meu limite. Todos os dias a Sara chorava ao fim do dia, das 17 as 21:30h... muitos deste dias estava sozinha abraços com os seus choros a clamar pelo meu colo, e a Eva a pedir atenção... houve dias em ela deixou de pedir atenção pelo modo convencional e começou a fazê-lo através de maldades e asneiras sucessivas.
Certos fins de tarde acabavam em grande gritaria aqui em casa, por um lado chorava a Sara, por outro chorava a Eva, ou porque estava de castigo por ter feito mais uma maldade, ou por eu lhe ter batido...
Senti que nao era isto que eu queria para a minha família.... senti que não era assim que eu queria criar/educar as minhas filhas... na base do grito e da palmada frequente.
Dei comigo num conflito interior muito grande... e nao sabia como resolvê-lo.
Um das razões principiais era eu sentir que andava a desrespeitar a minha filha enquanto criança.
Eu sou a mãe dela, tenho de a amar, respeitar, acarinhar e ter TEMPO para ela. E eu não estava a conseguir.
O pai não o posso culpar, ele tem se esforçado imenso, tem trabalho para a família. Tem me ajudado nas noites complicadas.
O problema era mesmo meu e eu tinha de conseguir uma solução.
Estou a mudar algumas coisas por aqui. Educar evitando o conflito o mais possível, passou a ser o lema , tendo em conta os limites e as regras, claro!
Passei a falar com a Eva, já não digo apenas "não"... agora explico-lhe a razão do "não".
Tenho ido sentar-me na sua cabeceira todas as noites, fazendo-lhe companhia ate que ela adormeça ( se eu adormeço a irmã... ela também precisa).
Já não me zango quando ela não consegue chegar a tempo ao bacio... ou quando ela chega a tempo mas decide virar o xixi no meio da casa de banho, simplesmente porque não o conseguiu virar convenientemente na sanita.
Passei a fazer os menus semanais ao domingo e vou as compras na segunda e terça feira apenas, para assim evitar estar com preocupações sobre o que será o jantar ao fim do dia... assim dedico-me mais a ela e à Sara.
Resolvi que vou eliminar a palavra castigo do meu vocabulário e vou começar a usar outra expressão menos agressiva, talvez um "vais pensar", ou um "vais para o sossego uns minutos"... não sei tenho de ver.
Passei a descansar de manha, porque ando extremamente cansada e exausta.
E depois outra coisa que me tem perturbado imenso é o facto de ter deixado de ter tempo para mim. Eu já tinha pouco, agora estou mesmo sem nenhum.
Nao consigo marcar nada com ninguém pois não sei se no dia/hora consigo fazer/estar.
Enfim... é isto que me vai na alma, no pensamento e no coração... e é por isto que ando mais afastada do "mundo" e mais perto de mim mesma.
Daqui a uns dias isto passa-me...