24 fevereiro 2011

De mim, de nós e da Educação

Pois, hoje vou falar de mim.
Preciso falar (escrever) de mim... tenho andado muito em baixo. Triste mesmo. Ha tantas coisas que tenho trazido aqui guardadas e nao tenho com quem as partilhar.
Por vezes desejava ter uma amiga (e eu sei que tenho) que me pudesse ouvir,mas sem me julgar...
Por onde começar?? Deixa ver, pelo facto de não estar a lidar bem com a minha mudança familiar.
Tem dias que me tenho sentido até uma "má mãe".
A Sara foi(e é) uma bebe muito desejada e amada, tal como a Eva. Quando decidi engravidar a segunda vez nao pensava que  se avizinhava um desafio tão grande.
Com o nascimento dela e a minha vinda para casa e me deparei com duas filhas para cuidar, tratar, educar, amar e ensinar, senti que nesse momento um GRANDE desafio ia iniciar na minha vida, ter de partilhar-me com duas! O inicio de uma nova etapa.
A Sara não tem nada haver com a Eva é uma bebe que chora demais, é uma bebe que exige alguma atenção e muito colo, é muito mais carente.Em prol disto fui deixando de brincar e dar tanta atenção à pequena Eva... e o resultado em poucos tempo revelou-se... mau comportamento, fitas, choros, noites agitadas e mal dormidas.... da Eva.
Dei comigo a ralhar-lhe e a bater-lhe quase por tudo... quase por nada... dei por mim a chorar e a revoltar-me comigo mesma por o ter feito... dei por mim a desejar voltar atrás, porque não deveria ter castigado ou batido naquele momento.
Houve uma altura que eu própria estava no meu limite. Todos os dias a Sara chorava ao fim do dia, das 17 as 21:30h... muitos deste dias estava sozinha abraços com os seus choros a clamar pelo meu colo, e a Eva a pedir atenção... houve dias em ela deixou de pedir atenção pelo modo convencional e começou a fazê-lo através de maldades e asneiras sucessivas.
Certos fins de tarde acabavam em grande gritaria aqui em casa, por um lado chorava a Sara, por outro chorava a Eva, ou porque estava de castigo por ter feito mais uma maldade, ou por eu lhe ter batido...
Senti que nao era isto que eu queria para a minha família.... senti que não era assim que eu queria criar/educar as minhas filhas... na base do grito e da palmada frequente.
Dei comigo num conflito interior muito grande... e nao sabia como resolvê-lo.
Um das razões principiais era eu sentir que andava a desrespeitar a minha filha enquanto criança.
Eu sou a mãe dela, tenho de a amar, respeitar, acarinhar e ter TEMPO para ela. E eu não estava a conseguir.
O pai não o posso culpar, ele tem se esforçado imenso, tem trabalho para a família. Tem me ajudado nas noites complicadas.
O problema era mesmo meu e eu tinha de conseguir uma solução.
Estou a mudar algumas coisas por aqui. Educar evitando o conflito o mais possível, passou a ser o lema , tendo em conta os limites e as regras, claro!
Passei a falar com a Eva, já não digo apenas "não"... agora explico-lhe a razão do "não".
Tenho ido sentar-me na sua cabeceira todas as noites, fazendo-lhe companhia ate que ela adormeça ( se eu adormeço a irmã... ela também precisa).
Já não me zango quando ela não consegue chegar a tempo ao bacio... ou quando ela chega a tempo mas decide virar o xixi no meio da casa de banho, simplesmente porque não o conseguiu virar convenientemente na sanita.
Passei a fazer os menus semanais ao domingo e vou as compras na segunda e terça feira apenas, para assim evitar estar com preocupações sobre o que será o jantar ao fim do dia... assim dedico-me mais a ela e à Sara.
Resolvi que vou eliminar a palavra castigo do meu vocabulário e vou começar a usar outra expressão menos agressiva, talvez um "vais pensar", ou um "vais para o sossego uns minutos"... não sei tenho de ver.
Passei a descansar de manha, porque ando extremamente cansada e exausta.
E depois outra coisa que me tem perturbado imenso é o facto de ter deixado de ter tempo para mim. Eu já tinha pouco, agora estou mesmo sem nenhum.
Nao consigo marcar nada com ninguém pois não sei se no dia/hora consigo fazer/estar.
Enfim... é isto que me vai na alma, no pensamento e no coração... e é por isto que ando mais afastada do "mundo" e mais perto de mim mesma.
Daqui a uns dias isto passa-me...

3 comentários:

María disse...

Olá Amiga :)
Finalmente consigo vir comentar e quero começar por te dizer que ninguém jamais tem o direito de te julgar. Ninguém! Cada Mãe faz (ou deve fazer) o que é melhor para si e seus filhos e o que é o melhor para ti pode não ser o melhor para outra pessoa.
Só o facto de quereres corrigir a situação, o facto de teres feito uma introspecção sobre o que se passa na tua família, demonstra o quão boa Mãe tu és e nunca duvides disso.

Ter 2 filhos com tão pouca diferença de idades não é fácil e é preciso muita paciência e como já te disse não devemos entrar em guerras com os nossos filhos, ninguém vence. Devemos sim escolher os disparates pelos quais vale mesmo a pena zangar-mo-nos. É o que digo sempre ao Mário, porque se assim não fizermos, é gritaria a todo o minuto.
E se estamos sempre a gritar ou a ralhar por tudo, é tipo efeito bola de neve, mais asneiras eles fazem, nós gritamos cada vez mais, às tantas eles começam a gritar connosco porque é como falamos para eles....enfim...não é isto que se quer...ainda há dias tive esta conversa com o Mário por causa do David.

Quanto às chamadas de atenção da Eva, como já te disse também, são mais do que normais, se ela não as fizesse é que seria de estranhar, não é? Pensa bem, em poucos meses ela larga fraldas, chucha, começa na escola e ganha uma irmã e como se não bastasse muda de casa. É muita coisa em tão pouco espaço de tempo.
Cá em casa o Tomás largou as fraldas e ganhou uma irmã e têm sido mais que muitas as fases pelo que tem passado. E como já te disse, são fases e passam, umas mais demoradas que outras, mas passam. É preciso ter uma santa paciência :)
O Tomás também passou pela fase de demorar a adormecer como já te contei e lembras-te que te perguntei onde estava a Sara quando a Eva ia para a cama? Temos de ter atenção a estas coisas porque eles sentem muito mais do que aquilo que nós pensamos. Também tenho a vantagem de já ter o 3º filho, já passei por isto com o David se bem que muito diferente porque era mais velho, mas passei com o Tomás e por isso te perguntei pela Sara. E quando tu disseste que ela estava na sala com o Zé ou contigo vi logo que a Eva queria companhia, mas a nossa conversa parou ali porque tu foste ter com a Eva e depois não retomámos mais e eu não quis estar a intrometer-me...

Gostava de estar mais perto de ti para falarmos mais sobre estas coisas do dia a dia, podíamos ajudar-nos mutuamente.
Tal como tu não tenho tempo nenhum para mim há muito, não o exijo também, somente gostava de ter 15 minutos de manhã ao acordar para mim, mas nem isso tenho :(
Tempo para vir à net é sempre à pressa, comento coisas à pressa, não digo tudo o que quero, mas não é isso o mais importante. São eles.

A Mariana pede atenção também, não é constante como o David era, mas não é tranquila com o Tomás era. Eles são indivíduos distintos com personalidades bem distintas :) Só quando ela dorme é que consigo fazer algo cá em casa e não pode ser barulhento senão ela acorda. Acordada ela fica uns minutos no tapete ou na espreguiçadeira, o resto é ao colo...

Melhores dias virão amiga, vais ver, quando encontrares o equilíbrio de que precisas vais animar e tudo vai começar a melhorar :)

Entretanto desejo as melhoras da Sara, que a febre passe bem rápido.

Beijinhos e já sabes que estou aqui .)

Rute disse...

Muito obrigada María, nem imaginas como me tens ajudado mesmo à distancia.
As tuas palavras, os teus conselhos têm sido muito úteis e importantes para mim.
Também gostava muito que estivéssemos muito mais perto, mas enfim!

María disse...

:)